“Funny Games”, de Michael Haneke

É de produção francesa e por aqui me fico quanto a explicações.

Até porque – convenhamos! – não há muito que se possa explicar daqui. Mas tentemos!

Comecemos pelo medo. Medo? Não. Medo não, porque tudo parece amistoso e além do mais são só uns ovos, e pedidos com educação, e da parte dos vizinhos – pessoas de bem, amigos de há anos.

Continuemos: luvas (brancas no verão)? Não, também não era problema. Meninos finos, meninos bem vestidos, meninos da alta mesmo… podem dar-se ao luxo destas excentricidades.

Tacos de ténis? Igualmente normal! Jogam com os nossos amigos e com os seus familiares.

Ai, não pode ser!: o telefone na água!! Já não bastava os ovos partidos…! Estou chateada! E agora? «Desculpe, sou um desastrado!… mas ao menos os ovos! Eu sei que tinha uma dúzia, mais quatro não lhe vão fazer falta!», «Aqui está. Desapareça, vá!»

É o cão a impedir-me de ir embora. É o taco que eu não pude experimentar… E vocês continuam a maltratar!? Ah!, que desagradável família! Não suportamos esta arrogância; temos que castigar! Joguemos um jogo: vocês entram obrigatoriamente, nós fazemos-vos reféns. É que nós adoramos jogar!

Mas afinal o que querem? Pergunta o Georg pai e com razão: esta brincadeira de adolescentes não tem piada!

Não era sequer para rir. Muito menos por dinheiro. É pelo gozo.

 funny games 1

«O que é que vocês acham? Devemos parar já?». Não interessa a resposta: o espectador não decide, quem vê não salva. De qualquer forma, quando amanhã forem 9, já nenhum de vocês cá estará e iremos brincar para outro lado.

 funny games 4

P.S.: O mundo é mesmo um local perverso.
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Sobre Cinema Francês Visto em Português

Já muito se falou e continua e continuará a falar de cinema francês e, nesse sentido, pouco posso acrescentar teoricamente ao que já foi dito. Ainda assim, e porque sou teimosa, e porque gosto realmente muito de cinema francês, esta é a minha tentativa. Desculpo-me então vestindo-me de nietzschiana: "não há a coisa-em-si, há perspectivas", dizia ele. Não há cinema-em-si, há perspectivas. Esta é a minha, muito apaixonada e parcial e do meu "canto" como só assim poderia ser.
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