“Laurence Anyways”, de Xavier Dolan

Il ou elle? Ça intéresse pas! «Eu interesso-me é pela pessoa »… E, ainda assim, quando Laurence se questiona e se responde, todos se questionam, o amor fica em dúvida.

E o que não ficou em dúvida, desapareceu: o homem, o trabalho, a estabilidade. E aos outros, é um balde de água fria – ou melhor, uma enorme enxurrada de água pela cabeça abaixo –, que se vai o penteado e a compostura. Eram as mil e uma coisas que estragavam o nosso prazer, mas agora foste tu! Mas admiramos-te: é preciso ter tomates! Desses e desses, não dos outros…

«Mas isto não é uma revolta: é uma revolução!», «E a seguir? A paz no mundo?». «Não podemos ter tudo, e a ideia de perfeição que me quiseste mostrar é uma merda!» Vai! Que vá cada um à procura da sua identidade sem o outro…

Mudaram as estações, mudámos de sítios; até de chocolate e perspectivas de vida mas continuamos presos – correcção: presas – uma à outra, pelo que ficou sem mudar.

Ont sa va encore ensemble. É TUDO ROSAS, É TUDO CHUVA DE ROUPA, É TUDO PERFEITO!

No final, não acabaremos sozinhas porque as coisas não acabam: mudam. Como uma borboleta, começa como acabou e acaba como começou. Não se perde nada. Tudo se transforma.

Vomitemos para o enquadramento, para a definição de “especial” e “marginal”. Pavoneia-te como és! «Laurence anyways!».

P.S.: Há já muito que não via um filme tão incrível, tão maníaco, que cada detalhe é pensado ao pormenor. E isso é, sem dúvida, metade do fascínio deste filme: tudo é estupidamente belo!
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Sobre Cinema Francês Visto em Português

Já muito se falou e continua e continuará a falar de cinema francês e, nesse sentido, pouco posso acrescentar teoricamente ao que já foi dito. Ainda assim, e porque sou teimosa, e porque gosto realmente muito de cinema francês, esta é a minha tentativa. Desculpo-me então vestindo-me de nietzschiana: "não há a coisa-em-si, há perspectivas", dizia ele. Não há cinema-em-si, há perspectivas. Esta é a minha, muito apaixonada e parcial e do meu "canto" como só assim poderia ser.
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