“Journal de France”, de Raymond Depardon & Claudine Nougaret

Estou sem palavras mas vomito imagens: de hoje, de outrora, de sempre – são História. Suponho que tenha ficado assim por não estar preparada para tanto testemunho em tão pouco tempo, sobre a História do Mundo, sempre tão madrasta!

Raymond, contudo, não se poderá chamar de masoquista. Pelo contrário: eu diria, artista! É sempre pela arte – acima de tudo pela arte – que arrisca tudo – mesmo a vida! – para nos trazer o belo em imagens. E o belo chega: por vezes sereno, por vezes violento, em imagens pacífico, em imagens guerreiro. Quer se goste ou não, o importante é chegar. Desde sempre como agora, continuaremos a dizer: «Fotografem!, ou eles não nos acreditarão!». Por isso Raymond, o homem nómada, apanha cada imagem de revolução, cada pequena prova de humanidade ou falta dela.

Com o que resta depois do mundo, faz as suas próprias revoluções, silenciosas e sem vítimas, – a da fotografia ideal e a do filme documental, cujas armas são o lugar e a luz. Ah!… mas estes dois têm que ser perfeitos, se não não servem! E eu disto não abro mão!

«Cada imagem é um ponto de vista do autor», cada palavra também. Eu poderia por isso dizer muitas, vocês não poderiam por isso criticar-me, mas este filme é intraduzível por poesias. Por isso… Vejam-no, rogo-vos!

Acabo aqui resumindo-o apenas: um filme desafiante que nos faz querer ver, fazer e respirar arte. Poderia ter sido apenas o Jornal de França, mas foi-me o Jornal do Mundo.

P.S.: «Estou em órbita algures.». (Não é esse mesmo o objectivo da arte?)
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Sobre Cinema Francês Visto em Português

Já muito se falou e continua e continuará a falar de cinema francês e, nesse sentido, pouco posso acrescentar teoricamente ao que já foi dito. Ainda assim, e porque sou teimosa, e porque gosto realmente muito de cinema francês, esta é a minha tentativa. Desculpo-me então vestindo-me de nietzschiana: "não há a coisa-em-si, há perspectivas", dizia ele. Não há cinema-em-si, há perspectivas. Esta é a minha, muito apaixonada e parcial e do meu "canto" como só assim poderia ser.
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