“Demonlover”, de Olivier Assayas

Talvez demasiadas duplas personalidades para um negócio só. Talvez de outra maneira não pudesse ser, já que o mundo da pornografia online envolve demasiado dinheiro, e uma cabeça só não chega – é preciso muitas, e sangue, e choques.

Diana tinha, de facto, tudo muito bem pensado; a verdadeira rainha do gelo não deixa espaço para dúvidas e conquista porque destemida e calculista. Arquitecta o plano perfeito para o negócio milionário de forma tão transparente quanto só a água o pode ser e injecta o veneno da ganância nos “estorveiros” que lhe vão aparecendo. E depois ela é bonita, é sensual – mas mesmo muito! –, e a isso é sempre difícil resistir. Só lhe descobrimos então um defeito: ser mais ingénua que os outros todos e não saber disso. E, se basta uma maçã podre para estragar todas as outras, bastou-lhe a ela esta fraqueza para lhe acabar com os planos e certezas. Tempo então para aparecer o medo e o escuro – e Olivier Assayas faz bem esta passagem do paraíso branco para o inferno escarlate – e todas as outras máfias adversárias.

Um filme onde percebemos bem que brincar com dinheiro não é coisa de crianças e que a violência e sadismo surgem em tenra idade e lançam tentáculos por todo o lado. Talvez por isso sempre continuaremos a pagar – e bem caro! – para as ter em formato virtual, porque afinal de contas – e isso será difícil negar – somos todos demonlovers.

P.S.: Não se metam em labirintos sem ver o mapa primeiro nem em brincadeiras sem terem idade.
 
 
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Sobre Cinema Francês Visto em Português

Já muito se falou e continua e continuará a falar de cinema francês e, nesse sentido, pouco posso acrescentar teoricamente ao que já foi dito. Ainda assim, e porque sou teimosa, e porque gosto realmente muito de cinema francês, esta é a minha tentativa. Desculpo-me então vestindo-me de nietzschiana: "não há a coisa-em-si, há perspectivas", dizia ele. Não há cinema-em-si, há perspectivas. Esta é a minha, muito apaixonada e parcial e do meu "canto" como só assim poderia ser.
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