“Yuki & Nina”, de Nobuhiro Suwa e Hippolyte Girardot

Outra vez, um filme de dupla nacionalidade – desta vez França e Japão unem-se através de fadas, desenhos e peluches. Duas crianças, o mesmo livro aberto, a história de dois mundos completamente distintos que, como em tudo na vida, se unem pela amizade. Um filme de histórias simples e paisagens bonitas mas de uma beleza estranha, com personagens demasiado belas e personalidades demasiado invulgares, que nos prendem a elas, que perseguimos para saber mais mas nunca chegamos a a(com)panhar.

Em relação às crianças, sempre ouvimos dizer duas coisas: “elas são o melhor do mundo” e “elas não compreendem o mundo dos adultos”; e é exactamente por estes dois ditos de desdizerem que este filme existe. Nele, Yuki e Nina querem voltar a uni-los, à maneira da Fada do Amor, porque não compreendem porque os pais discutem, porque se separam e porque as obrigam a separarem-se uma da outra por se chatearem. Por isso, já que assim é, no nosso mundo, onde tudo é mais simples e linear, então nós mesmas temos que espalhar os pozinhos de perlimpimpim e fazer resultar.

Contudo, no final de contas, a verdade é que são os grandes que fazem o mundo girar. Mesmo que os mais pequenos puxem aqui, façam força acolá, a energia vem dos maiores. Resta então às crianças ajustar – ajustarem-se às vidas ditadas pelos adultos, mesmo que pelo meio tenham que montar casas a fingir e brincar sozinhas na floresta. No final, aquilo que mais interessa é arranjar formas de comunicar que ultrapassam distâncias e linguagem, para acabar junto ao rio, a ouvir a corrente, a ouvir a chuva e ser feliz. Para uma criança chega e para uma forma de viver tão inocente até é demais.

P.S.: Tão fascinada fiquei pela personagem de Yuki como por todo o guarda-roupa do filme. Em ambos os casos, 50 para incompreensível & 50 para estou a adorar.
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Sobre Cinema Francês Visto em Português

Já muito se falou e continua e continuará a falar de cinema francês e, nesse sentido, pouco posso acrescentar teoricamente ao que já foi dito. Ainda assim, e porque sou teimosa, e porque gosto realmente muito de cinema francês, esta é a minha tentativa. Desculpo-me então vestindo-me de nietzschiana: "não há a coisa-em-si, há perspectivas", dizia ele. Não há cinema-em-si, há perspectivas. Esta é a minha, muito apaixonada e parcial e do meu "canto" como só assim poderia ser.
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