“Les temps qui changent”, de André Téchiné

Enterrar! Enterrar o passado e só então começar de novo. Porque o que aconteceu, quando retorna, destrói o que mudou até então. Talvez por isso o amor volte sempre, e da forma mais estranha, ou talvez porque só desta forma pode permanecer. E então outra vez – o eterno retorno. Mas quase sempre muda, por muito pouco que seja; ou melhor, tudo se vai adaptando e esse processo é inevitável. Só não mudam as pessoas e do que sempre fica se voltam a erguer estruturas.

De Paris a Tanger ou de Tanger a Paris, os caminhos que se voltam a cruzar. A desculpa é uma obra e, afinal, o objectivo é mesmo (re)construir. Só não contamos com as derrocadas, até percebermos que terreno firme há pouco.

Uff!, tanto para dizer! Afinal com Téchiné é sempre assim: histórias simples, personagens complexas e vidas ainda mais complicadas. É-me tão bom vê-lo e, mesmo não sendo esta uma das suas obras de sempre, continua para mim a ser imensamente fascinante, como tudo o que faz; e nem de outra maneira podia ser, se todos os seus frames são paixão e todo ele é arte que quer simplesmente ser vida, ou mostrá-la.

Um filme no qual as ligações entre personagens são simples mas as relações estupidamente difíceis. Dois “pais” que o pretendem ser mas não sabem como, amantes que não se podem gostar, amores que não existem e barreiras culturais inestreitáveis. Porque nos relacionamentos não há fórmulas, porque a magia não se compra e nem mesmo o sucesso a conquista. Por isso, há muita coisa que inevitavelmente continua igual.

Mas vezes há também em que tudo se destrói, se queima o passado e se começa a história de novo. Então aí são libertados os reféns e se vai à procura do território prometido. Provavelmente será esta a lição a recuperar da lama.

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Sobre Cinema Francês Visto em Português

Já muito se falou e continua e continuará a falar de cinema francês e, nesse sentido, pouco posso acrescentar teoricamente ao que já foi dito. Ainda assim, e porque sou teimosa, e porque gosto realmente muito de cinema francês, esta é a minha tentativa. Desculpo-me então vestindo-me de nietzschiana: "não há a coisa-em-si, há perspectivas", dizia ele. Não há cinema-em-si, há perspectivas. Esta é a minha, muito apaixonada e parcial e do meu "canto" como só assim poderia ser.
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