“Pierrot, le fou”, de Jean-Luc Godard

O filme anti-narrativa e, ainda assim, eu quero tanto contar-vos uma história sobre ele! Bem, não é nada fácil: “falar com palavras do que se vê com sentimentos”… Oh!, que loucura afinal.

Louco…? Pedro, o louco! Sim, é verdade. Completamente louco: por causa dela, não por amor, mas para escrever esta história de crime a dois, porque a literatura vem antes de tudo! E que seja então para lhe dar prioridade que se deixa ir sendo, ainda que contrariado, um personagem – o Pierrot – quando na verdade «je m’appel Ferdinand».

Daqui para ali e dali para além. Os dois, sempre juntos – ou seja, nunca juntos, porque «as palavras em francês dizem o contrário do que querem dizer» – percorrem o país de uma ponta a outra, sempre à procura de algo, à procura um do outro, quando afinal sempre perdidos e os dois resultado do acaso. Por isso, por mais que se separem, voltam sempre a juntar-se porque Marianne, comme le mer, vai correndo por todos os lados e é toda sentimentos.

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Mas não são só parceiros pelos esquemas e pelo dinheiro (que esse até o atiram ao mar quando estão irritados): é pelo desafio. Além do mais, uma vida tem 250 mil milhões de segundos e eles ainda só estiveram 3 meses juntos, o que não é nada porque ela está sempre a mudar de “roupa” e os «homens são duplos».

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Mas «uma mulher pode matar toda a gente» e, de facto mata, especialmente esta. Mas morre também, inevitavelmente, porque era tão óbvio que tinha a «linha do destino muito curta». Mas, apesar de tudo, morre com «o azul do céu». Haveria lá motivos para não ser um final feliz?

FIM (ou atirámos todos os livros ao mar).

P.S.: não fiquem a pensar que eu já disse tudo e não vale a pena ver. Ainda não disse nada…
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Sobre Cinema Francês Visto em Português

Já muito se falou e continua e continuará a falar de cinema francês e, nesse sentido, pouco posso acrescentar teoricamente ao que já foi dito. Ainda assim, e porque sou teimosa, e porque gosto realmente muito de cinema francês, esta é a minha tentativa. Desculpo-me então vestindo-me de nietzschiana: "não há a coisa-em-si, há perspectivas", dizia ele. Não há cinema-em-si, há perspectivas. Esta é a minha, muito apaixonada e parcial e do meu "canto" como só assim poderia ser.
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