“Lancelot du Lac”, de Robert Bresson

Poucos serão certamente os filmes franceses onde temos armaduras, cruzadas e cruzados. Tanto de invulgaridade tem o filme no contexto do cinema francês como no do realizador.

Por isso – porque nem sempre é fácil falar da diferença – vou concentrar-me naquilo que o filme tem de mais francês. Em 3 palavras de ordem: mulher, poesia e poder. Não obstante, ficar-me apenas por aqui, pouco acrescentaria ao meu intento e do filme quase nada diria. E a palavra amor? Pois! Também lá está, como não poderia deixar de ser… (mas implicitamente e guardada para os aposentos).

No fundo, aquilo de que mais se fala no filme, mas que pouco se admite, é da questão da honra. Honra para com cada um entre si – agora reduzidos a poucos, nunca mais os da “Távola Redonda” e para sempre rivais – e para consigo mesmo enquanto homens. Honra ainda para mostrar à rainha, honra para a ter e honra para a perder.

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Pois que Lancelot desafia todas estas possibilidades: primeiro por si, depois por ela; primeiro sozinho, depois com alguns companheiros de cruzada. De fraco jamais o poderíamos apelidar, se cada um dos seus golpes tem mestria incomparável. Mais a mais, aqui odeiam-se os que não se batem, pois aos fracos: «Enforcá-los!».

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Apesar das desavenças, pequenas alianças mantinham ainda este mantra entre os cavaleiros da corte do Rei Artur. Mas quando volta a morte e o sangue, de novo se muda a estratégia. Como num jogo de xadrez: vão-se os cavalos, faz-se “xeque” ao rei, esquece-se a rainha e acabam ganhando os peões.

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No final da partida, resta apenas questionar: quanto vale realmente a honra?

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Sobre Cinema Francês Visto em Português

Já muito se falou e continua e continuará a falar de cinema francês e, nesse sentido, pouco posso acrescentar teoricamente ao que já foi dito. Ainda assim, e porque sou teimosa, e porque gosto realmente muito de cinema francês, esta é a minha tentativa. Desculpo-me então vestindo-me de nietzschiana: "não há a coisa-em-si, há perspectivas", dizia ele. Não há cinema-em-si, há perspectivas. Esta é a minha, muito apaixonada e parcial e do meu "canto" como só assim poderia ser.
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