“17 filles”, de Delphine & Muriel Coulin

Alguns diriam sempre que por rebeldia. Eu, neste caso, questiono-me. Porque rebeldia é diferente de libertação, segundo julgo. Mas, ainda assim, um acto rebelde para uma sociedade onde há idades estipuladas para quase tudo e, contudo, estas raparigas são tão precoces!

17 raparigas mas não temos dezassete barrigas, dezassete bebés: temos sim 17 cabeças cujas frustrações familiares e sociais são comuns a todas. E depois, porque não há nada mais motivante que é ver a falha e tentar fazer o mesmo sem falhar, estas raparigas querem ser mães também. Até porque a ideia é tão bonita e tão ideal – «vamos ser diferentes dos nossos pais», viver todas juntas e criar os nossos filhos em comunidade, vamos ser independentes e amigas para sempre – que só no fim de se ver a cabecinha, o corpinho e os pés, a nadar naquele espaço que nem sabíamos que tínhamos, é que nos apercebemos que afinal não é assim tão fácil, que o que criámos existe e que não é um brinquedo. E então aí vem a lágrima e a frustração e deixamos de ser mamãs para voltar a ser filhinhas.

Interessante como a certo ponto de filme, homem ou mulher que seja, se começa também a sentir grávido/a. Parece um sufoco!: para estas jovens que afinal a preocupação maior é engravidar (e eu «dou-te 50€» para isso) e para nós que, mesmo não estando, quase ficamos, em solidariedade para com elas. No final de contas, o bebé é um acessório (de carne e osso ou de penas) para umas meninas mimadas (que ainda dormem com os seus peluches), cuja conquista maior era mesmo serem incluídas neste grupo de “excluídas” que, apesar de tudo, só querem mesmo é ser felizes.

Image

Anúncios

Sobre Cinema Francês Visto em Português

Já muito se falou e continua e continuará a falar de cinema francês e, nesse sentido, pouco posso acrescentar teoricamente ao que já foi dito. Ainda assim, e porque sou teimosa, e porque gosto realmente muito de cinema francês, esta é a minha tentativa. Desculpo-me então vestindo-me de nietzschiana: "não há a coisa-em-si, há perspectivas", dizia ele. Não há cinema-em-si, há perspectivas. Esta é a minha, muito apaixonada e parcial e do meu "canto" como só assim poderia ser.
Esta entrada foi publicada em Delphine & Muriel Coulin com as etiquetas , , , . ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s