“Intouchables”, de Olivier Nakache e Eric Toledano

É engraçado como me é difícil dizer alguma coisa de um filme sobre o qual tanto haveria para falar.

Eu podia dizer apenas que, afinal e resumidamente, é um filme-quadro (mas um abstracto, onde as emoções são atiradas como jactos de tinta, que à primeira vista pareceriam tão baratos e afinal tão caros) da palavra “amor”, mas todos os filmes o são um bocadinho e além do mais seria tão redutor. Poderia então partir pelo caminho da palavra “entrega” e, também aqui, dificilmente encontraria refutação.

Mas eu sou do contra e não vou por caminho nenhum: afinal uma das maiores lições que Briss e Philippe nos ensinam é que rotas e rotinas não fazem ninguém feliz. Por isso, decidi então que me vou calar porque nunca palavras descreverão tão bem este filme quanto a lagrimita tímida e difícil que me permitiu o final (logo agora que eu me tinha pensado a secar!).

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Ainda assim (grito), antes de me ir embora, e agora que pensei melhor, vou acrescentar: afinal parece que ser “intocável” é uma decisão de vontade e não uma condicionante física. O toque às vezes é tão mínimo – só nas orelhas, que do pescoço para baixo não sinto – e toca espaços tão pequenos e, no final, quando nos apercebemos correu-nos o corpo todo. Como um chá quente que se entorna mas não se sente, percorre-nos uma vibração que vai do pescoço aos pés e pensamos:  “Ah! Afinal estou vivo!”. Respiramos depois, piscamos o olho um ao outro e seguimos porque realmente as palavras ficariam tão aquém.

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P.S.: Não precisaríamos saber que este filme tinha sido inspirado num caso verídico para nos deixarmos fascinar e emocionar mas, de facto, às vezes é importante referir. Porque sim: a ficção dá-nos coisas belíssimas e mágicas e maiores, mas a verdade é que também na realidade as podemos encontrar. Talvez seja o meu adágio para hoje.
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Sobre Cinema Francês Visto em Português

Já muito se falou e continua e continuará a falar de cinema francês e, nesse sentido, pouco posso acrescentar teoricamente ao que já foi dito. Ainda assim, e porque sou teimosa, e porque gosto realmente muito de cinema francês, esta é a minha tentativa. Desculpo-me então vestindo-me de nietzschiana: "não há a coisa-em-si, há perspectivas", dizia ele. Não há cinema-em-si, há perspectivas. Esta é a minha, muito apaixonada e parcial e do meu "canto" como só assim poderia ser.
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Uma resposta a “Intouchables”, de Olivier Nakache e Eric Toledano

  1. Para quem afirmou com desdenho ser uma forma americana de fazer um fime francês…

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