Festa do Cinema Francês

O que vi na 13ª Festa do Cinema Francês (2012):

Elles (Malgorzata Szumowska), um filme de inocência perdida e prostituição escondida, traz-nos Juliette Binoche – por quem, admito!, tenho um amor doentio e infindável – e jovens universitárias, em confissões descomprometidas e personagens descartáveis. Um belo abre-olhos, num filme onde o erotismo ajuda a contar opções complicadas.

Captive (Brillante Mendoza), é o filme político onde, imprevisivelmente, sequestrados e guerrilheiros se mesclam em nome da fraqueza humana. Num cenário onde todos são prisioneiros uns dos outros, percebemos que os direitos humanos são um luxo da sociedade contemporânea – armas, dinheiro e radicalismos vêm primeiro! – e que se defendem primeiro os interesses e só depois as pessoas. Com Isabelle Huppert (já vos tinha falado do que sinto por ela), no papel de mãe desiludida com a prole.

Indignados (Tony Gatlif) é um filme voyeur no qual a câmara nos mostra, através dos passos de uma emigrante ilegal, a crueldade com que ainda se defendem valores racistas, numa Europa em colapso social e político. Filme que é uma objectiva-espelho dos movimentos sociais de contestação que se multiplicam por toda a Europa, denunciando sistemas corruptos e chorando ideais desfeitos.

Journal de France (Raymond Depardon & Claudine Nougaret) é um filme-arte tão belo tão belo, que tenho que vos falar dele mais em detalhe aqui.

Matar e esperar por um suicídio, enquanto se passa em revista toda uma jornada de especulação e profissionalismo sem liquidez, justaposta a uma vida familiar normal mas feliz e altruísta que, ainda assim, não foi suficiente. No fundo, é quase tão cruel a verdade dos números como a injustiça dos homens e este filme é a prova de que, na sociedade actual, não se chora o sofrimento: morre-se de desgosto. De bon matin (Jean-Marc Moutout) é a história de quando a Banca se apercebe que já não há “banco” para todos e elimina sem remorsos os que não têm assento. Mas…

Présumé coupable (Vincent Garenq), é o filme de uma justiça sem provas e de um homem sem culpas. (Isto chegaria, mas eu acho mesmo que perder este filme é tão grave como Alain ter perdido a dignidade, por isso quero-vos transmitir um impulso imenso para o verem com isto.)

Incluído na secção dedicada à Madrinha da 13ª edição desta Festa – Maria de Medeiros -, está o filme Je ne suis pas mort (Mehdi Ben Attia), uma história de contornos paranormais ou pura e simplesmente de perturbações do sujeito à maneira de Heidegger. Um filme no qual personagens e espectadores são levados a acreditar que a identidade é transmissível, mesmo não percebendo quem troca afinal com quem… Ou será apenas um alter ego?

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